
O golpe militar em Honduras traz de volta à cena a sombra de um passado, que ao contrário do que alguns podem pensar, não morreu. A extrema-direita latinoamericana, autoritária, violenta e apoiada nas fardas, volta a cena dando um golpe de estado em Manuel Zelaya,
eleito democraticamente. Essa extrema-direita, como nos anos 60 e 70, continua recebendo pleno apoio de dentro dos EUA, por isso Obama nada pode fazer em relação ao golpe militar em Honduras, a não ser mentir. Os militares yankes não querem perder mais uma base militar na America Latina e exatamente dentro do território hondurenho tem uma. O avião que sequestrou Zelaya no dia do Golpe militar fez uma escala dentro da base militar estadunidense em Honduras antes de ser levado para fora do país. Obama não quer acabar como Kennedy e sabe que não pode peitar a burguesia e nem os militares do Pentágono, são estes que ainda dão pleno apoio a muitos trogloditas e genocidas de farda na América do Sul. Não é dificil hoje encontrarmos apoiadores da ditadura militar em nosso meio, assim como militares criticando os direitos humanos, são a face armada da "democracia" burguesa, são pessoas que defendem torturas, trabalho infantil, são contra os índios, contra as cotas, contra as liberdades, contra a reforma agrária, contra o direito dos trabalhadores e etc.
Com a crise econômica mundial e a cada vez mais forte presença militar dos EUA na Colombia não é difícil prevermos a possibilidade de um futuro sangrento para o nosso continente, repetindo assim a história latinoamericana de golpes militares e governos autoritários. Só as classes exploradas (trabalhadores, estudantes, indígenas, negros, operários, campesinos, mulheres, desempregados e etc) organizada em grandes movimentos de massa poderia deter um novo processo autoritário e fascista como este. A grande verdade é que as Forças Armadas e os sistemas judiciários ainda servem como freio à qualquer mudança social e política real na América Latina, principalmente aqui, no Brasil.